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Resenha literária

 

 

Resenha literária

 

 

 

 Livro: Do assombro e do provável – Clarice Lispector e Hamlet: o labirinto da consciência

Editora: Parthenon Centro de Arte e Cultura

Ano: 2014

Páginas: 72

Autora: Dília Gouveia

 dilia

Natural de Portugal. Radicada em Niterói, é professora de Filosofia e Literatura. Além deste Do assombro e do provável – Clarice Lispector e Hamlet: o labirinto da consciência, é autora dos seguintes livros: Nas malhas do devaneio – o dia em que Fernando Pessoa nos reinventou e Movidos pelo desejo – Emma Bavary e Dr. Fausto: a danação da viagem. Promove encontros literários e filosóficos como uma ponte para que os grupos de estudo se deixem tocar pelo fascínio das obras literárias e se permitam refletir sobre os mais diversos temas que constituem a pluralidade do sentido e da condição humana.

 livro dilia

 

         Uma vez mais, provocados por Dília, nos aproximamos atentos, em silêncio reverente e assombro, do diálogo essencial. Não é acaso que o encontro da misteriosa Clarice e do príncipe dinamarquês Hamlet se dê no castelo de Kronborg, fortificação imponente a guardar o estratégico estreito de Öresund. Mas não nos enganemos, não estamos confortados no interior de Elsinor, aqui o perigo espreita. Clarice e Hamlet estão para invadir nossa tão bem defendida e encoberta essência, alargar nossa passagem rumo à intimidade comprimida de nossas almas. Clarice e Hamlet não estão aqui para impedir e sim para impelir-nos às profundezas de nós.

         Diálogo de fogo que queima o real, descortina a coxia escura, inflama-nos a alma indolente, morta, cadáver adiado pelo veneno da covardia, do viver à superfície, onde não falta o ar estéril.

         Dília nos oferece a mão de Clarice para que esta nos guie ao abismo, mas isso é apenas ilusão. Essa viagem é, definitivamente, de apenas um viajante: o eu, um ser, como Hamlet, insaciado, inquieto, apaixonado, sedento de si, de sentido. Se essa metamorfose interna não acontece, corremos o risco de nos transformarmos em grandes insetos escondidos sob canapés – o de dentro que cobra seu preço. Ou ainda, nada sermos, sem despertar asco ou aversão, o que nos garante a inclusão desavisada. Clarice apenas insinua a vereda, nos instiga, nos convida. Cabe a nós a decisão de romper as acauteladas defesas do canal que separa o mar raso do oceano profundo e não mais viver o porvir fantasiado, mas viver o agora, intensamente, insanamente lúcidos.

         Não há como uma alma sensível à existência percorrer este livro sem ser tocada, estocada e ferida de morte. Para, num infinito seguinte, viver!

Renata Candido

 

         Temos em mãos, mais uma vez, um diálogo – impossível – concebido por Dília Gouveia.

         Esta narrativa nos leva a um confronto entre personagens conflitantes que se deparam com o mesmo tema em épocas bem distintas. Há uma idêntica indagação que trespassa o tempo e que está sempre diante de nós, a cada dia, independentemente da tecnologia, dos avanços.

         O embate entre Hamlet e Clarice Lispector é tão atual quanto constante na mente humana, que tenta exorcizar pela arte o medo do nada, do desconhecido, daquilo que nem os mais lúcidos conseguem desvendar. Essa busca ultrapassa tempos e une intelectos, e só nos é possível percebê-la quando a pena de uma sensitiva – como a autora deste trabalho – consegue captar o éter, esses eternos confrontos entre seres imortalizados.

         Como Hamlet, Dília é sonhadora e impulsiva. Impulsiva no sentido de quem dá impulso a e não no de quem reage de maneira irrefletida. A autora nos alerta e também nos faz refletir, em consonância com Clarice: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso”.

         “Morrer... dormir... dormir... Talvez sonhar...”.

         Eis a questão.

         Quem somos, para onde vamos, o que é a vida? Não há respostas, senão na arte.

         Ser... Ou não ser?!

Mauro Carreiro Nolasco

 

No liame entre a lucidez e a loucura, Hamlet de Shakespeare e Clarice Lispector desvelaram uma humanidade reconhecida por aqueles que transitam os abismos, a solidão e o caos interior. São protagonistas de um processo iniciático ao perderem-se diante da ruína e do dilaceramento para se surpreenderem pela descoberta de uma vida nova que pulsa das trevas.

Cristiana Seixas


 

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