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Prata da casa

(Seção destinada à divulgação de textos de Acadêmicos Titulares da ANL).

Nesta edição estamos publicando textos dos acadêmicos

  • Paulo Roberto Cecchetti
  • Alberto Araújo
  • Hilário Francisconi


Prata da casa

Paulo Roberto Cecchetti 

Cecchetti

cecchettipaulo@gmail.com

EM TEUS OMBROS 

- parafraseando Pablo Neruda (1904-1973) -

poema de PRCecchetti

 Quando deixo de contemplar tua face,

recosto em teus ombros.

 

Teus ombros de osso largo,

teus grandes ombros enrijecidos.

 

Eu sei que te apoiam

e que tua acre pele

sobre eles se emerge.

 

Tua cabeça e teus cabelos,

a duplicada luminosa

dos teus olhos,

a rósea luz da tua face

que há pouco esboçara brilho,

a lânguida boca de flores,

tua negra madeixa,

intensa torrente minha.

 

Mas se amo os teus ombros

é só porque curvaram

sobre o peito e sobre

o ventre e sobre o gozo,

até me acalmarem.

 

CELEBRAÇÃO - de PRCecchetti

Renascer é o tema. Dilema único. Toda aproximação do início de ano abre-se o pano para desvendar novas esperanças. Depois de se deparar com decisões assertivas, o traçado elaborado não poderia deixar de ocorrer em outro momento tão minuciosamente agendado.

Dê boas-vindas ao que foi planejado e silenciosamente orquestrado. O novo ano também é, de certa forma, revolucionário. É com ele que iremos resistir ao embate no decorrer do melhor instante para sonhos e desejos se realizarem. Celebre a vida!

 

LIVRO - de PRCecchetti

O mundo é um livro e quem o mantém fechado não conhece o sabor/saber das palavras. 

 

PARA NICO QUINTANA, O PERSA - de PRCecchetti 

O gato deitou na poltrona aproveitando o silêncio do quarto. O gato repousa seu conforto exibindo tranquilidade e calmaria na tarde nublada do inverno anunciado. O gato não vive como a maioria dos animais domesticados. O gato me encanta e ensina a recriação dos sonhos.

AO LIVRO - de PRCecchetti

Às vezes, 

pelo excesso de palavras 

vejo formas estranhas no papel. 

Escrevo frases insanas, 

risco e reescrevo poemas 

que saem por estas mãos firmes, 

que me restam, 

e estes cabelos brancos primaveril. 

No entanto, 

eu estou aqui sozinho 

cheio de novas idéias, 

como aqui e agora, 

de frente para essa máquina 

mortífera 

chamada tempo 

que de repente me decifra: 

cinquenta anos de 

poesias, crônicas e haicais. 

 

TUDO A SEU TEMPO - de PRCecchetti 

O tempo segue por aí

Antes, eu só tinha pressa

mesmo sabendo que, no raso,

eu não encontrava a saída

Pela primeira vez

me vi num beco embicado

entre quatro paredes flácidas

parcialmente interditadas

pela falta de luz interior

O tempo segue em frente

e é preciso recolher

essa manhã que, breve,

irá se tornar ontem

Não tenho nenhuma pressa

O sonho sagrado sangra

pelos olhos vermelhos

da definitiva trajetória

 

MÃO ÚNICA - de PRCecchetti 

não faço dessa via

que corta meus passos

o caminho único

dou meia volta

ou enfrento 

cada paralelepípedo?

 

se eu caio no vazio

sou fake ou fato?

minha palavra presa

é silenciosamente fraca

 

desnecessária?

inconsistente?

ou me levanto do chão

ou me arrasto no meio-fio

em meio a nada

 

.

 
Alberto Araujo

alberto araujo

ALBERTO ARAÚJO <alberto_bacana@hotmail.com>

PÔR DO SOL EM ICARAÍ

O pôr do sol em Icaraí é um esplendor...
Os passarinhos pairando no ar,
excelente, apogeu verdadeiro!
O marinheiro em veleiro, 
busca do seu alimento.
O combustível do amor 
é incenso no poente amarelejo,
Arrebatamento!

A língua do sol 
a arrebatar-se com a maresia.
Momento em que se desfaz 
nas espumas e perfuma 
as trilhas e as ramagens da poesia.

Pelos olhos de Maria, Joaquina, Rafaela...
vê-se os ruborizes das folhas crestadas pelo sol 
a acariciarem a avenida... A passarela.

Os anjos ao longe tocam o violoncelo, 
suavemente, e baixinho. 
A réstia de luz do ocaso ao chão,
é uma rosa, uma taça de vinho...
O beijo dos amantes, que alegria!
O barco de marfim costura o infinito, 
nas ondas da bela Baía.

Tudo é belo e santo!
Inspiração divina... Encanto!
Também os lírios e a face de Jesus Cristo
estão presentes ao anoitecer.
E eis que surgem as lâmpadas 
e os pirilampos entre as asas 
da flora e da fauna, após o entardecer.

Icaraí tem o pôr do sol, 
Inexaurível e profundo!
É nessa hora que entendemos,
a elegante força, a valentia da maresia.
E nesse momento em que percebemos,
o pôr do sol de Icaraí, ser o rosto da poesia.

Pôr do Sol, belíssimo... SORRIA!

© Alberto Araújo
poeta e jornalista


 hilario francisconi

Hilário Francisconi

francisprov@hotmail.com

 

Do verbo

H. Francisconi

 

Não iniciarei dizendo que “no princípio era o Verbo”, porque ninguém mais suporta ouvir isso. Mas, como já disse, ficará assim mesmo.

O verbo é a expressão de um fenômeno linguístico que exprime a ação ou o estado de um sujeito, seja a ação dele boa ou má, ou o estado do sujeito lamentável ou não.

Em nossa Gramática Normativa da Língua Portuguesa, um verbo é regular quando aprovado pelo menos por 50%% do grupo falante da língua e irregular quando não aceito pela outra metade; aparentemente irregular, quando consideramos os votos nulos e os que não souberam opinar; anômalo, quando apresenta mais de uma raiz, sendo necessária sua extração para evitar a gengivite e defectivo, que difere do anômalo apenas pela ausência de virtudes.

Um verbo pode ser transitivo ou intransitivo, estando o primeiro subdividido em direto e indireto. Será direto quando usado no trânsito com expressões de baixo calão dirigidas ao motorista próximo e indireto quando distante do ofendido.

Os tempos do verbo são em número de seis: o presente é aquele que jamais faltou a uma aula de Português; o pretérito imperfeito, o reprovado na ficha limpa; o pretérito perfeito, a bem da verdade, jamais existiu; o pretérito mais que perfeito, menos ainda; o futuro do presente é o preferido dos profetas e o futuro do pretérito exprime as vontades frustradas. 

Quanto aos Modos, os verbos classificam-se em Indicativos e Subjuntivos. Os indicativos são os mais indicados às ações concretas, ao passo que os subjuntivos, às duvidosas.

Posto à parte, encontra-se o Modo Imperativo, talvez devido à sua prepotência.

Por pura precaução, nos registros normativos constantes do Guia Prático de Conjugação de Verbos todas as afirmações são imediatamente negadas na coluna ao lado: Coma eu, come tu / Não coma eu, não comas tu.

Ainda há que se falar dos verbos abundantes, mas seu trocadilho dispensa-se, uma vez que estes abundam sem que se lhes cubram as vergonhas.

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