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Prata da casa

(Seção destinada à divulgação de textos de Acadêmicos Titulares da ANL).

Nesta edição estamos publicando textos dos acadêmicos

  • Paulo Roberto Cecchetti
  • Alberto Araújo
  • Wanderlino Teixeira Leite Netto
  • Geraldo Bezerra de Menezes


Prata da casa

Paulo Roberto Cecchetti 

Cecchetti

cecchettipaulo@gmail.com

PARA NICO QUINTANA, O PERSA 

O gato deitou na poltrona aproveitando o silêncio do quarto. O gato repousa seu conforto exibindo tranquilidade e calmaria na tarde nublada do inverno anunciado. O gato não vive como a maioria dos animais domesticados. O gato me encanta e ensina a recriação dos sonhos.

 

PAIRA NO AR, O TEMPO! 

A moda não saiu das ruas. De geração a geração a ideia libertária do sexo, songs e soluções, permanecem no imaginário cenário multicorroído do último verão. A geração revolucionária, operária e operante, oprimida e oponente, seguia em busca da liberdade, motivada pela ânsia do amor pleno e eterno. Etéreo sonho utópico no trópico épico do brasileiríssimo “ame-o ou deixe-o”. Deu em desilusão.

O avião que parte no vôo da reclusão é o mesmo que retorna sem charme, visto da janela enfumaçada por nuvens que pairam sobre a cidade partida. Cinquenta anos depois, os velhos credos - acreditem! - permanecem expostos, a céu aberto, por toda uma geração.

Ouço, numa estação do rádio da Uber, urbana canção.

 
Alberto Araujo

alberto araujo

ALBERTO ARAÚJO <alberto_bacana@hotmail.com>

Homenagem do escritor e poeta Alberto Araújo ao professor Horácio Pacheco, texto publicado na Antologia O Perfume da Palavra - Volume V, organizado pela jornalista Labouré Lima da Editora Muiraquitã, página 22,Niterói-RJ(2016).

  

ALBERTO ARAÚJO HOMENAGEIA O MOVIMENTO CULTURAL "ESCRITORES AO AR LIVRO" COM POEMA, PELA PASSAGEM DO ANIVERSÁRIO DE 10 ANOS.

LEIA O POEMA COMPLETO ABAIXO.

ESCRITORES AO AR LIVRO ...
10 ANOS DE INTENSO AMOR ÀS ARTES
E A CULTURA NITEROIENSE

ESCRITORES AO AR LIVRO!
Paulo Roberto Cecchetti é o coordenador.
São 10 anos de luta em prol da literatura niteroiense!
Ativismo em tradição, mundo infinito de amizade e de amor.
Esse movimento cultural tem grande valor no panorama fluminense.

ESCRITORES AO AR LIVRO é ATITUDE DILETANTE!
Associação que vela a cultura da cidade.
Voz ativa dentro do terreno da intelectualidade.
Amante das letras sem fronteira.
Painel de júbilo contagiante.
Aqui jaz a cultura brasileira!

O publicitário Paulo Roberto Cecchetti
Grande líder, ativista colossal!
Escritor, jornalista e publicitário genial.
Desse grêmio afável e cordial
E do amável amigo: EU SOU TIETE!

Vida longa ao ESCRITORES AO AR LIVRO!
PARABÉNS, PELOS SEUS 10 ANOS
de puro alegria e felicidade!
A literatura e a cultura brasileira
necessitam desse respeitável estandarte.
VIVA A POESIA, A NOSSA PRECIOSA ARTE.

Autor: Alberto Araújo - escritor e jornalista
Homenagem ao movimento cultural ESCRITORES AO AR LIVRO coordenador Paulo Roberto Cecchetti, pela passagem de seus 10 anos de existência.

 

 hilario francisconi

Hilário Francisconi

francisprov@hotmail.com

 

O Senhor dos Aneizinhos.

 

Não sei, mas às vezes me parece que não enxergamos. Que fomos todos feitos androides defeituosos. Quer dizer, não “desde o princípio”, mas aos poucos, no ritmo das gerações.

A entrada para o jardim do Campo de São Bento, em Niterói, estava quase bloqueada pela profusão de cores estampadas nas roupas dos passantes. Foi ontem, domingo. O leitor pode imaginar a cena festiva relembrando qualquer outra crônica a respeito de parques públicos, num belíssimo domingo de céu azul. Por isso, posso pular impunemente esta parte .

Mas havia uma minúcia, um particular melancólico, que compeliu a minha atenção  -  como fazem as grandes ondas  -  diretamente a um senhor. Era um velhinho, sentado junto ao portão de entrada, de olhar perdido, e que com uma das mãos segurava uma bandeja, trêmula, contendo pequenos anéis. Ele era mais um dentre dezenas de outros vendedores   -  mas não ambulante, que este não apresentava condições. Os aneizinhos pareciam de fabricação caseira, talvez confeccionados pela velha esposa, ou neta talvez. E ele estava ali para vendê-los, e assim complementar, quem sabe, a vileza de sua  aposentadoria. Mas este androide não reuniu coragem para falar-lhe qualquer coisa, menos ainda para comprar-lhe um dos trabalhinhos. Fico pensando, nesta segunda feira, que fui desmotivado à aproximação pelo receio de descobrir-lhe maiores dramas, alguma lágrima nos olhos, um abandono irrefreável... E segui o meu caminho. E todos seguiam seus caminhos, cada um à busca de seus tesouros particulares, na ânsia diária e individual de seus personalizados anéis. Mas ainda voltei, uma vez mais, para ouvir com ouvidos aguçados aquela triste canção. Aquele velhinho era uma canção da vida, sintonizada na estação Realidade.

E a sua música, que tocava apenas nos espíritos, era também uma canção que dispensava legendas, já que tudo ali era possível ler nas suplicantes entrelinhas que dançavam no ar.

Na sua bandeja trêmula, que ele oferecia aos passantes, vibravam todos os acordes afinadíssimos de uma mensagem universal. E ainda penso que a tremura de sua mão servia tão somente a chacoalhar as notas, vibrantes, a nos convidar à harmoniosa  -  embora sombria  -  sinfonia.

Mas somos androides,  não ouvimos com os labirintos da natureza; nada enxergamos senão de olhos abertos a uma ilusão estonteante, não conseguimos nos sintonizar à Grande Rádio  -  a emissora das canções da vida. E este que vos fala não é compositor das canções da vida, mas humilde retratista dessas canções.

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