Academia Niteroiense de Letras

 


 

Menu

 

Diretoria

Conselho Fiscal

Histórico

Patronos

Atuais Acadêmicos

Ex-Acadêmicos

Principais eventos

Biblioteca

Programação

Endereço

Trabalhos Literários

Revista Virtual

Fale Conosco

 

 

 

 

Prata da casa

(Seção destinada à divulgação de textos de Acadêmicos Titulares da ANL).

Nesta edição estamos publicando textos dos academicos

  • Paulo Roberto Cecchetti
  • Hilário Francisconi.
  • Alberto Araújo
  • Bruno Marcus Rangel Pessanha


Prata da casa

Paulo Roberto Cecchetti 

Cecchetti

cecchettipaulo@gmail.com

HOMENAGEM  

ao Jornalista e Poeta 

Luís Antônio Pimentel.

Paulo Roberto Cecchetti*

 

Luís Antônio Pimentel, jornalista, historiador, fotógrafo, professor, poeta e haicaísta, é a saudade permanente em nossa ‘cidade invicta’. Resistência plena. Uma voz atuante que esteve e estará presente hoje e nas futuras gerações. Força libertária em cada amanhecer.

Sua nipônica poética - na forma de haicais e haicais onomásticos - aparece em inúmeras publicações. Agora esta imensa legião de admiradores e admiráveis personagens, permanece relembrando-o, em sentimentos e verdades, para que o saudoso Pimentel não desapareça da nossa memória.

O interessante é que ele é - no correr da “água entre pedras” - duradoura exaltação, reconstruída em momentos de inesquecíveis convívios no movimento cultural de Niterói.

 

Três haicais de LAP:

 

Na água da maré,

a tartaruga deixou

dissolvidas lágrimas.

 

No gongo do templo,

aproveitando o silêncio,

dorme a borboleta.

 

Foi em Hiroxima!

Escancarou-se uma boca

de quem come um ovo.

 

LUÍS ANTÔNIO PIMENTEL nasceu em 29 de março de 1912, Miracema/RJ e faleceu - aos 103 anos - em 05 de maio de 2015.

 

*poeta, curador, idealizador do projeto cultural "Escritores ao ar Livro"

 

COISAS DA LITERATURA - de PRCecchetti

 -I- 

 Todas as manhãs ele carrega os sonhos da cama, levanta e põe o seu traje da esperança. 

 -II-

O novo só inova se comprova a prova do saber. Acreditar crer faz compreender e poder viver.

 -III-

O que é uma crase no meio da crise?! Cruzes!

 -IV-

Tenho observado nas manhãs ‘vasófilas’ que o papel picotado nunca se desprende no local demarcado.

 -V-

Prendam! Prendam! Prendam!!! E a cadeia social tornou-se ponto de encontro nos corredores do presídio. Presságio. Selam-se as celas.

 -VI-

Ao lavar as mãos, ouvi gemidos vindo do toillet de gênero: - Ah! faça isso não... faça isso...

 -VII-

Aprendi com o verão a deixar-me queimar e voltar sempre dourado.

-VIII-

Há sempre algo na sua presença que me encanta.

 -IX-

Não quero a calma do beijo na face. Quero o sexo.

 -X-

Colhemos amor em nossa mente, pois é lá que plantamos a semente.

A HORA DE FAZER VALER O VOTO - de PRCecchetti

 2017 passou batido. Bandidos, corrupção e insegurança tomaram a atenção de todos nós. Prós e contra. Conta desfeita, principalmente, pela falta na educação e na saúde. Foi difícil manter a boca fechada. Fachada exposta nessa manipulação do marketing do estilingue. Língua afiada, ligações perigosas.

A desatenção do MP e da PF com os colarinhos puídos e desalinhados por afilhados e padrinhos corroendo os cofres públicos. De súbito, varrer todos da política que atravanca nossos caminhos.

2018 é o ano do voto. Da vontade popular de aniquilar toda a sujeira deixada pela estrada. Nada nos resta, senão a consciência do eleitor. Fator na escolha de novos políticos. 

Sim, insisto em ser crítico da gangorra partidária. Libertária será nossa reflexão profunda sobre o novo ano. Desce o pano. 

Planos à vinda de 2018. É hora de fazer valer o voto.

 

-2-

RETORNO - de PRCecchetti

O caminho a seguir não é o mesmo caminho de casa. No lar temos respeito ao bem comum. Na rua nos deparamos com todo esteriótipo dos seres humanos. Semeamos diferenças. Colhemos aparências. De dentro da casa observamos a rua. Nua. Rezo. E negamos o vazio do olhar. O retorno trazemos na memória. É hora do descansar.

-3-

ICARAÍ ADOECEU? - de PRCecchetti

No quadrilátero compreendido entre as ruas Miguel de Frias/Comendador Queiroz e Moreira César/Tavares de Macedo, fiz um esforço de memória e contei hoje, pela manhã, completamente estarrecido: quatorze farmácias! E umas de frente para outras!Teriam os moradores do bairro de Icaraí adoecidos???

Bem sei que, na qualidade de vida ora existente, a longevidade tem avançado ao ponto de perceber o ir e vir das senhorinhas curtindo vitrines, e de senhores sentados nos bancos das esquinas contando reminiscências de uma Icaraí saudosa...

Não me surpreendo em minhas caminhadas matinais com o número avançado de cadeiras de rodas, algumas motorizadas, circulando no âmago desse quadrilátero entre carrinhos de bebês que mal conhecem desse novo trajeto.

Surpreso diante de tantas inaugurações da grife farmacopeia, indago: Icaraí adoeceu? Ou o marketing dos genéricos tornou-se ato frenético para a invasão às prateleiras repletas de pílulas da vida longa?! Evasivas invasões que persistem em descaracterizar o bairro. Esbarro nas prateleiras dos comprimidos encompridando nossos passos para a eternidade...

- 4 -

URBANANA - de PRCecchetti

A geografia urbana da “Cidade Sorriso” não há mais...Leiteria Brasil, Padaria Pão Quente, Pastelaria Imbuí, Esportiva, Restaurante Monteiro, Cinema Central, Hotel Imperial, Clube IPC, Bar do Honorato... 

Triste Vila Real da Praia Grande, outrora cidade imperial, com a corte de D.João VI flanando por este chão abençoado.

Minhas afeições urbanas, ainda existentes, guardo-as todas na lembrança, feito relógio da Reitoria da UFF, às vezes emperrado, mas que permanece altaneiro, girando os ponteiros do tempo refletido na tela do Cine Icaraí, hoje abandonado.

   * * *

Hilário Francisconi

Hilario

H. Francisconi (francisprov@hotmail.com)

Rei Bernardo e o tabuleiro de xadrez

H. Francisconi

Sete anos já se passaram, de modo que este relato não faz parte de minhas memórias mais recentes.  Sabemos, no entanto, que manter ativo o complexo mnemônico faz bem ao estado emocional, contanto, logicamente, sejam as recordações positivas.

Lembrei-me, há pouco, de certa manhã em que pela primeira vez Bernardo, meu neto à época com nove meses, interessou-se pelo meu tabuleiro de xadrez. Ele chegou com a impulsão de seu andador, vira pra cá, vira pra lá e encostou.

O tabuleiro, com as peças em suas casas originais, descansava pacífico à baixa altura da estante; os livros, mais acima. A menos que me surgisse um enxadrista recalcitrante, viva alma alguma jamais estaria autorizada a tocá-lo. Questão de honra. Ou de desonra, conforme o caso.

O meu tabuleiro de xadrez sempre fora um campo minado atrelado aos meus humores, de forma que uma inconveniente invasão explodiria meus neurônios. Mas naquela manhã os explosivos deviam estar inoperantes: Bernardo mexeu, derrubou as torres e mais os bispos e ainda lançou ao chão  -  vejam só!  - três cavalos e cinco peões. As minas, apesar de estrategicamente posicionadas, não detonaram.

E eu fiquei ao seu lado, revestido da paciência que caracteriza os avós, observando aquele paladino a embaralhar as peças de acordo com sua inocente preferência. E sua predileção era, notadamente, a de anular de vez e por sentença irrecorrível qualquer indício de segregação: fez com que as brancas desfilassem, num passeio leve, a esbarrar seus ombros nos das pretas e os peões, embora treinados por séculos, debandaram de seus postos e não se perfilavam mais no “front” porque Bernardo, na doçura de seu reinado, já decretara o fim da secular batalha. Os bispos, por ordem direta do rei, não se dispunham unicamente a fazer a corte do monarca e da rainha: naquela manhã lúdica, cantavam girando em rodas no reluzente terraço das quatro torres; os cavalos corriam livres de um reino a outro, já que as lanças e as flechas não os atingiam mais e as peças tombadas aqui e ali não jaziam aniquiladas como em outros tempos, mas assim portavam-se devido ao vinho e rolavam e gozavam de grande júbilo às ordens de um reinado que unificara, em paz profunda, aquelas antes díspares hegemonias.

As crianças vivem dando-nos xeque-mate...

 
Alberto Araujo

alberto araujo

ALBERTO ARAÚJO <alberto_bacana@hotmail.com>

Homenagem do escritor e poeta Alberto Araújo ao professor Horácio Pacheco, texto publicado na Antologia O Perfume da Palavra - Volume V, organizado pela jornalista Labouré Lima da Editora Muiraquitã, página 22,Niterói-RJ(2016).

 

 

O RIO DE JANEIRO QUE EU AMO É ASSIM

O Rio de Janeiro que eu amo é assim:

Exuberante, acalorado, puro 40 graus...

Multicolorido, perfumado de jasmim.

Alma absorvedora do amor, poesias em saraus.

O Rio de Janeiro que eu sou apaixonado é assim:

Sinos refulgentes de alegrias, poetas e suas histórias.

Tem o coração nobre, o contentamento não tem fim.

Passos acelerados. Senhor guardador de memórias...

O Rio de Janeiro que eu reverencio é assim:

Manto Sagrado entre verbos. Terra de mil amores.

Músicas, cinemas, livros, futebol... Vivos jardins com flores!

Orlas delicadas, da aurora ao anoitecer, que belo arrebol!

Solo luxuosíssimo, cidade maravilhosa.

Cidade viva, eu gosto de sentir na pele a sua fissura de sol...

Rio de Janeiro, particularidade frondejante e formosa,

de coração perspicaz e essência esplendorosa.

BY © ALBERTO ARAÚJO

 


 Bruno Marcus Rangel Pessanha

 

bruno pessanha

brunomrpessanha@hotmail.com

Bruno Marcus Rangel Pessanha, nascido em Belo Horizonte, é engenheiro agrônomo (Escola Nacional de Agronomia, da antiga URB, atual UFRRJ),e pós-graduado em administração de empresas, pela Escola de Administração de Empresas- FGV-SP. Atualmente, residente em Niterói, é membro da Academia de Letras Rio Cidade Maravilhosa e da Academia Niteroiense de Letras.

Obras: Contos da Universidade Rural - prosa, EDUR, Seropédica - 2010; Poemas Redondos e Versos Desencontrados - poesia - EDUR, Seropédica-RJ, 2010; O Clarão e outras histórias - prosa - Editora Parthenon, Niterói-RJ - 2015; Maitê e outras histórias (no prelo) - 2017.

 

*

Ocaso

Indiferente,

a tarde morre...

Você, ausente,

o tempo escorre...

 

Vida, mero estuário

de medos e espera...

Jogo imaginário,

saudade sincera.

 

Morto o calendário,

a gente acostuma.

No livro-diário,

palavra nenhuma.

*

De noite fico a sonhar

com um relógio sem ponteiro.

A insônia é pendular,

o tique-taque, certeiro.

 

O relógio vão da noite

tem feição de Mona Lisa.

Cara de falsa ternura

nos olhos e comissuras

suavemente puxados.

Sorriso entrefechado

onde o tempo desliza…

*

Abismos do belo sendo,

apenas os poetas sabem

que no bojo do silêncio,

todas as palavras cabem.

*

Alegria,

o rosto onírico da poesia,

entrevisto no espelho da infância...

 

Líricos lampejos a riscarem

o céu da adolescência...

Por falta de alinhavo

na hora certa,

viraram saudades

antes de serem versos.

 

Hoje, destino perverso,

as balas traçantes

da realidade

continuam a riscar

o céu escuro da terceira idade.

*

O Tempo e o Homem

Na vida todos viajam,

estradas e pontes,

horizontes, passando...

…o tempo todo

o tempo olhando.

 

ampulhetas

clepsidras

relógios de sol

ponteiros,

celulares

digitais

 

Paralelamente, aedos,

poetas, vates e que tais,

seguem cantando sem medo

cantigas do nunca mais.

*

A dor minhoca

a terra brava

do meu abandono.

Enquanto escava

ela cai no sono,

a dorminhoca.

*

Poética

Do lirismo escravo,

escrevo.

Canetas,

teclas pretas

à mão.

 

No chão duro da vida

escavo

versos pé no chão

 

Nas raras nuvens

do trevo do céu,

alinhavo

versos ao léu.

 

Neles, avos

de vida ponho

na conta devida

do sonho.

 

Do lirismo,

escravo sou.

Poeta sem meta,

entre lírios e cravos,

desconchavos

escrevendo vou.

*



Para voltar ao índice geral, clique em Revista Virtual na coluna da esquerda acima. 

Para voltar ao índice desta revista, clique AQUI.