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Prata da casa

(Seção destinada à divulgação de textos de Acadêmicos Titulares da ANL).

Nesta edição estamos publicando textos dos academicos

  • Paulo Roberto Cecchetti
  • Hilário Francisconi.
  • Alberto Araújo
  • Bruno Marcus Rangel Pessanha


Prata da casa

Paulo Roberto Cecchetti 

Cecchetti

cecchettipaulo@gmail.com

ICARAÍ ADOECEU? - de PRCecchetti

 

AMIGO - de P.R.Cecchetti

Amigo é parte de nós! Amigo é aquela pessoa especial, presente nas horas alegres e tristes; sempre trazendo uma palavra de incentivo ou de conforto. Amigo é quem faz do simples abraço um porto seguro; onde a nossa cabeça possa encostar no ombro amigo e nos acalmar com seu aconchego.

De que tanto precisamos senão de um amigo? Se procurarmos bem, iremos encontrar (não a explicação do que é um amigo!) sua constante presença. Bem alí na esquina. Na quebrada da vida. Vivida e vinda ao vento.

Amigo é sorriso aberto, sicero, contagiante. Amigo é olhar nos olhos e dizer sempre o que precisamos ouvir: – “Sou assim como você pode observar… e conte comigo, pois sou seu amigo!”

 

PANO SAGRADO - de P.R.Cecchetti

Igual ao ato litúrgico enxugo a taça com o pano sagrado guardado a sete chaves. Chove no quintal. Afinal, saboreei o vinho a mim presenteado no último natal. Agora é outono. Tomo da taça o sabor dos Andes. Ando meio nostálgico. Retrato na retina o trato feito com o tempo. Da espera. Quimera. Queima e arde o olhar distante da espera.

O TEMPO  - de P.R.Cecchetti

 

Eu vi a morte fora de lugar. O destino do tempo incerto tornou-se cruel e avassalador. Não encontrava motivo para tanta descarga eletrizante que se paralisa meu coração. O tempo é a amargura do olhar.

Hilário Francisconi

Hilario

H. Francisconi (francisprov@hotmail.com)

As gaiolas do Cosme.

 

O homem é um animal permutador, muito embora nem sempre disso consciente. Sua necessidade de troca, arraigada nele desde o despertar da consciência humana, tanto respeita à simples transação comercial quanto ao vital rodízio de afeto entre seus pares.

De outro lado, há um aspecto psicoemocional nesse processo interativo: o homem liberta-se na medida em que faz do outro a sua presa, de modo que, naturalmente, a busca pela liberdade será sempre um ato de egoísmo.

- Olá, Cosme, e esse aí, pendurado no alto do portão?

- Esse aí é o meu coleirinho. Não vendo por nada!

Cosme não negociaria, por valor algum, aquela presa. Não barganharia sua própria liberdade.

- E aquele amarelinho, na gaiola da esquerda?

- Então não sabe? É um canário-da-terra.

Cosme está sentado no seu banquinho matinal, um apetrecho mínimo que suporta, resignado, o peso de sua compleição. Aquela banqueta é o sustentáculo de um mundo chamado Cosme  -  um universo completo, com todas as implicações de órbitas, prisão e liberdade.

 O uno spiritu prende para libertar-se. Posto em seu pedestal em madeira de lei  -  um Deus a comandar das nuvens!  -  Cosme trabalha na confecção de suas gaiolas  -  o receptáculo de suas ânsias, sem as quais domadas não se sentiria livre.

- E aquelezinho ali?

- É o tiziu...


Alberto Araujo

alberto araujo

ALBERTO ARAÚJO <alberto_bacana@hotmail.com>

Homenagem do escritor e poeta Alberto Araújo ao professor Horácio Pacheco, texto publicado na Antologia O Perfume da Palavra - Volume V, organizado pela jornalista Labouré Lima da Editora Muiraquitã, página 22,Niterói-RJ(2016).

 

 

ALMA LEVE E SENSATA

 

a Horácio Pacheco

 

 Se tu me perguntares

quem foi Horácio Pacheco, direi:

Sempre que podia

com a alma sã e a sua luz sensata

adentrava a Academia.

 

Foi consagrado homem sábio.

Jornalista, escritor

serviu a todos os amigos

com muito amor.

 

A sua tocha sempre iluminará

a brisa intelectualizada que nos aquece.

Do alto a luz e sua voz resplandece.

Intelectual de alma leve

cujo afeto o íntimo não esquece.

 

Ele evocava a arte literária com paixão

e se deleitava com as palavras.

Professor Horácio nasceu em Ribeirão.

Mas tinha Niterói no coração.

 

Chamávamos de professor querido,

porque ele de forma peculiar e bravia

ultrapassava os limites do céu da poesia

com o saber do latim e da morfologia.

 

Dotado de coração hospitaleiro

e de serena e amável fidalguia,

conduzia com fulgor a advocacia.

Foi da justiça nobre mensageiro

e gênio imortal de nossa Academia.

 

 

By © Alberto Araújo

Escritor, poeta e jornalista.

 

 

 Bruno Marcus Rangel Pessanha

 

bruno pessanha

brunomrpessanha@hotmail.com

Bruno Marcus Rangel Pessanha, nascido em Belo Horizonte, é engenheiro agrônomo (Escola Nacional de Agronomia, da antiga URB, atual UFRRJ),e pós-graduado em administração de empresas, pela Escola de Administração de Empresas- FGV-SP. Atualmente, residente em Niterói, é membro da Academia de Letras Rio Cidade Maravilhosa e da Academia Niteroiense de Letras.

Obras: Contos da Universidade Rural - prosa, EDUR, Seropédica - 2010; Poemas Redondos e Versos Desencontrados - poesia - EDUR, Seropédica-RJ, 2010; O Clarão e outras histórias - prosa - Editora Parthenon, Niterói-RJ - 2015; Maitê e outras histórias (no prelo) - 2017.

 

*

Ocaso

Indiferente,

a tarde morre...

Você, ausente,

o tempo escorre...

 

Vida, mero estuário

de medos e espera...

Jogo imaginário,

saudade sincera.

 

Morto o calendário,

a gente acostuma.

No livro-diário,

palavra nenhuma.

*

De noite fico a sonhar

com um relógio sem ponteiro.

A insônia é pendular,

o tique-taque, certeiro.

 

O relógio vão da noite

tem feição de Mona Lisa.

Cara de falsa ternura

nos olhos e comissuras

suavemente puxados.

Sorriso entrefechado

onde o tempo desliza…

*

Abismos do belo sendo,

apenas os poetas sabem

que no bojo do silêncio,

todas as palavras cabem.

*

Alegria,

o rosto onírico da poesia,

entrevisto no espelho da infância...

 

Líricos lampejos a riscarem

o céu da adolescência...

Por falta de alinhavo

na hora certa,

viraram saudades

antes de serem versos.

 

Hoje, destino perverso,

as balas traçantes

da realidade

continuam a riscar

o céu escuro da terceira idade.

*

O Tempo e o Homem

Na vida todos viajam,

estradas e pontes,

horizontes, passando...

…o tempo todo

o tempo olhando.

 

ampulhetas

clepsidras

relógios de sol

ponteiros,

celulares

digitais

 

Paralelamente, aedos,

poetas, vates e que tais,

seguem cantando sem medo

cantigas do nunca mais.

*

A dor minhoca

a terra brava

do meu abandono.

Enquanto escava

ela cai no sono,

a dorminhoca.

*

Poética

Do lirismo escravo,

escrevo.

Canetas,

teclas pretas

à mão.

 

No chão duro da vida

escavo

versos pé no chão

 

Nas raras nuvens

do trevo do céu,

alinhavo

versos ao léu.

 

Neles, avos

de vida ponho

na conta devida

do sonho.

 

Do lirismo,

escravo sou.

Poeta sem meta,

entre lírios e cravos,

desconchavos

escrevendo vou.

*



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