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Perfis biográficos


Por Wanderlino Teixeira Leite Netto

wanderlinotlnetto@gmail.com

wanderlino


    


Geraldo Bezerra de Menezes (acadêmico titular da ANL, Cadeira 16)

 

Nada melhor que a poesia para abençoar a viagem. Nelson Sargento foi primeiro observado por Teresa. Humilde, recatado, talvez constrangido, ou temeroso, diante da possibilidade iminente de alçar voo e virar pássaro. Vestimenta de operário com tênis novo de marca suburbana, sobrando nos pés, quase à Carlitos. Camisa simples nas cores e em desenho da Mangueira, a verde e rosa. Calça simples azul, tipo jeans, de marca suburbana, larga demais para pernas tão finas, quase à Carlitos. Coberto pela idade com indícios fortes de caminhos difíceis e sinais evidentes de luminosidade rara, raríssima. Nelson Sargento, artista popular brasileiro. Sambista, cantor, compositor, escritor, pintor. Negro de pele e osso. Os seus não vieram da África por querer próprio, mas como escravos. Magreza longeva. Corpo em formato de anzol, envergado para a frente. Pernas arqueadas de jogador de futebol de antigamente, tipo o campeão mundial Altair. Naquele espaço restrito do aeroporto, fazia a diferença. Parecia Jesus Cristo, ou, se menos, a santa madre Teresa de Calcutá, tamanha a paciente mansidão como atendia às três portuguesas incrédulas, e outros, e outros, e a mim, seus fãs. O fã não resiste, vai ao ídolo, quer ser por ele abençoado. Beijei-lhe a mão. Ele me abençoou. Avião nas alturas, mas tranquilo, sob a proteção dos deuses, na companhia de um deles, o grande Nelson Sargento.

A viagem começa às mil maravilhas.