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MPB, um enfoque literário

 

 

lauro

Lauro Gomes de Araújo

Acadêmico titular da ANL, atual ocupante da Cadeira 45

 

      

Ari, o “pianeiro” de Ubá

 

         Que dizer de Ari Barroso, já muito bem biografado e um dos compositores sempre lembrados pelas gerações de intérpretes, não fosse ele mesmo um dos mais brilhantes? É “chover no molhado”. Assim, prefiro focalizar alguns aspectos da sua jornada pela música popular. Primeiramente, quando coloquei a palavra pianeiro entre aspas, não tive a intenção de frisar o pejorativo, mas exatamente destacar a impropriedade do rótulo quanto à execução.

Há um antigo LP denominado “Encontro com Ari” no qual o grande compositor toca piano e até canta. Espontâneo, simples, sem rebuscados harmônicos, sóbrio, não merece qualquer pejorativo! Esclareço: não que o chamassem assim, mas era o estilo que caracterizava outros pianistas.

Vem bem a propósito a observação de Mário Lago, em entrevista de 1973, com referência ao belíssimo “Terra seca”: “Estava no escritório de Mangione com Alberto Ribeiro quando Ari entrou, entusiasmado com algo que havia acabado de fazer. Tinha a mão esquerda muito bonita, influência de Nazaré. Alberto gostou muito, mas sugeriu que Ari colocasse versos na parte de piano referente à mão esquerda. Ari pensou e logo descobriu – ´Trabáia, trabáia, nego / trabáia, trabáia, nego`”.

         Outro episódio a ser lembrado foi narrado por Roberto Martins, que estava fazendo sucesso com uma valsa de sua autoria. Ari não deixou passar: “Mas, como? Sambista fazendo valsa?”. Pouco tempo depois, o próprio Ari apareceu com o grande êxito, entregue a Silvio Caldas, “Três lágrimas”. Foi a vez de Roberto devolver a gozação: “Que é isso, fazendo valsa?”. Ari não se apertou: “Pois é, os maus exemplos devem ser imitados”. Há outras passagens envolvendo a conhecida falta de humor do autor de “Aquarela do Brasil”.

         Ari barroso, o melodista, o radialista dos famosos calouros, o narrador esportivo completa e ostensivamente fanático pelo Flamengo, o político eventual, que logo descobriu não ser ali o seu lugar. O Ari de tantos sucessos, o boêmio da Fiorentina e das imortais parcerias com Luís Peixoto. O Ari sempre redescoberto na sua “Aquarela”, que já rodou o mundo. Finalmente, o Ari da episódica permanência na Meca do Cinema, onde talvez tenha recordado o tempo em que era pianista de cena.

Sandro Rebel

Sandro Pereira Rebel

Acadêmico titular da ANL, atual ocupante da Cadeira 46


 

Compositor brasileiro,
um dos melhores que há,
no nosso cancioneiro.
foi um mineiro de Ubá.
 
Ary Barroso: este o nome
com que ele se projetou
para alcançar o renome
tão grande que conquistou.
 
Aquarela do Brasil
goza de prestígio tal
que até já repercutiu
no plano internacional.
 
Risque é muito coisa nossa:
um samba tipo canção,
de estilo chegado à fossa,
que cultua a solidão.
 
 
Na Baixa do Sapateiro
é outro samba, porém,
de andamento mais ligeiro
e menos triste também.
 
E ele fez No Rancho Fundo,
onde, em tom emocionado,
expõe o pesar profundo
de um moreno abandonado.
 
E fez um Pra machucar
meu coração, caprichado,
que decerto o fez penar,
pois o recado é bem dado.
 
Igualmente Folha morta
é obra de eternidade,
pelo encanto que transporta,
com extrema suavidade.
 
A Três lágrimas, porém,
em nada lhe fica atrás;
é antológica também,
tamanha beleza traz.
 
Outro samba de primeira,
nas composições de Ary,
é certamente Faceira,
que há de ser citado aqui.
 
É luxo relata
o rebolado da dança
de uma sambista mulata
que de gingar não se cansa.
 
Apenas Por causa dela,
de uma cabocla encantada,
fez uma canção tão bela
que há de sempre ser lembrada.
 
Por especial favor,
Terra seca, Vai de vez,
Sapateado, Novo amor,
Vou à Penha também fez.
 

Ele fez também Maria,

com brilhante inspiração,

uma linda poesia

em formato de canção.

 

Na Batucada da vida,

um samba bem langoroso.

narra, de forma sentida,

um drama bem doloroso.

 

Também de sua autoria,

um verdadeiro tesouro,

e da mais alta valia,

é Morena boca de ouro.

 

Fez Como se deve amar,

Quando eu penso na Bahia,

Viu, Em noite de luar,

Nunca mais, Mês de Maria.

 

Anistia, Diz que dão,

Pente fino, Madrugada,

Ai Geni, Camaleão

e Pobre e esfarrapada.

 

Fez Em noite de luar,

também Cruel resistência,

O Brasil há de ganhar

e Falta de consciência.

 

Mentira, Não é vantagem,

Vai tratar da tua vida,

Upa upa, Malandragem

e Paulistinha querida.

  

Fez Quando a noite é serena,

Deixa essa mulher sofrer,

Laço branco, Dona Helena,

Caco velho e Sem querer.

 

Canção da felicidade,

Eu vou, Não sou manivela,

Vespa, Um samba em Piedade,

Deixa disso e Sentinela.

 

Fez também Sobe balão,

Boneca de piche, Eu dei,

Brasil moreno, Perdão,

Já era tempo e Ocultei.

 

E Grau dez, Sonho de amor,

Nosso ranchinho, Nem ela,

Tu, Malandro sofredor,

Duro com duro e Dá nela.

 

E o que todo tabuleiro

da baiana sempre tem,

ele o mostra em tom brejeiro

e pitoresco também.

 

E fez O nego no samba,

Escrevi um bilhetinho,

Gira, Mulatinho bamba,

Anoiteceu e Benzinho.

 

 E Esquece, Samba no céu,

Vão pro Scala de Milão,

Prossiga, De déu em déu

e Grave revelação.

 

E Dengo, Tenho saudade,

Veneno, Eu gosto de samba,

Primeiro amor, Amizade,

Na beira do cais e É bamba.

  

Também Rio de Janeiro,

Oba, Janjão e Zabé,

Dois amigos, Forasteiro

Colibri e Candomblé.

 

E Não posso acreditar,

Xangô, Bahia imortal,

Rosa, Quero descansar

e Coisas do carnaval.

 

Fez Confessa, Meu Natal,

Neném, Dona Catarina,

Foi ela, Flor tropical,

Essa diaba e Rosalina.

 

Fez também Inquietação,

uma joia musical,

de impecável construção

e harmonia magistral.

 

E, mais querendo fazer,

fez Os quindins de Yayá;

um samba igual pode haver,

um melhor, porém, não há.

 

E Você não era assim,

No jardim dos meus amores,

Rio, Faixa de cetim,

e mais Maria das Dores.

 

Fez Eu vou pro Maranhão,

Cabocla, Trapo de gente,

Despacho, Pois sim, pois não

e Cabrocha inteligente.

 

E fez Camisa amarela,

outro samba de valor,

que seu talento revela,

com requintes de humor.

 

 

Com talento não menor

fez Garota colossal

e Canção em tom maior,

valsa bem sentimental.

 

E fez Chama-se João,

Meu amor não me deixou,

Chorando, Desilusão

e O correio não chegou.

 

E mais De qualquer maneira,

Na parede da igrejinha,

Cem por cento brasileira

e Menina tostadinha.

 

Em Isto aqui o que é?

exalta tanto o país

que nos faz pensar até

que aqui o mundo é feliz...

 

E dessa mesma ufania

pela terra brasileira

fez uso, com euforia,

em Aquarela mineira.

 

Pela obra, enfim, especial,

que ele soube produzir

no cenário musical,

cabe agora concluir.

 

Com tamanha intensidade,

Ary, compondo, luziu,

que chegou à eternidade

na memória do Brasil.

 

As palavras grafadas, nos versos acima, em itálico,  reproduzem

literalmente, ou sugerem  claramente, títulos de composições de Ari Barroso.

 
 

 
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