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MPB, um enfoque literário

lauro

Lauro Gomes de Araújo

Acadêmico titular da ANL, atual ocupante da Cadeira 45

 

      

Encontro com Lúcio Alves

 

Fui encontrar-me com ele para a convite habitual: uma homenagem do Mesa de Botequim. Creio foi sua última apresentação em público... ou a  penúltima, o que  nada  muda. O que também não mudou foi a satisfação que tivemos em recebê-lo. Simpático, inteligente, espirituoso, um “bom papo”, estava ali um dos nomes mais importantes  da moderna música popular brasileira. Passado o auge do sucesso, pouco se dizia dele. Por isso fomos procurá-lo.

Lucio Ciribelli Alves era mineiro de Cataguases, onde nasceu em 28

de janeiro de 1927, transferindo-se para o Rio de Janeiro  aos sete anos. Como artista infantil, aos nove, interpretou o samba “Juramento falso” em determinado programa de Rádio, protagonizando Aladim na novela  “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, da Rádio Nacional. Aos  14 anos, criou  o conjunto vocal e instrumental  “Namorados da lua”, poca em que também  integrou o famoso “Anjos  do inferno”, liderado por Léo Vilar, com o qual excursionou ao México, Cuba e Estados Unidos da América do Norte. Em 1950 já havia lançado uma versão para o bolero “Tres  palabras”, quando lançou de sua autoria “Brumas”, iniciando sua fase de autor. O  advento da Bossa Nova trouxe outra vertente para o talento múltiplo de Lúcio Alves, compositor, instrumentista, cantor e arranjador. Ao longo dos anos 1960, participou ativamente da produção de discos e de  programas de televisão. Em 1978, excursionou com o Projeto Pixinguinha, uma das marcantes iniciativas de Hermínio Bello de Carvalho à frente do Dpto. de Música da FUNARTE. Apesar do registro vocal semelhante ao de  Dick Farney, Lúcio construiu sua própria  carreira de modo independente, apesar da falada “rivalidade” entre ambos concebida por obra e graça da mídia, que teve um lado positivo: Billy  Blanco resolveu acabar com a  “falsa  disputa”, entregando a ambos a parceria com Tom Jobim, “Teresa da Praia”.

A contribuição de Lucio Alves para a Música Popular é inquestioná-

vel. Saudade do cantor de voz macia e sóbria interpretação.

Sandro Rebel

Sandro Pereira Rebel

Acadêmico titular da ANL, atual ocupante da Cadeira 46

 

Lúcio Alves é o artista
do musical brasileiro
de cuja obra pode a lista,
abaixo, ser um roteiro.
 
De nascimento, mineiro,
mineiro do interior,
foi no Rio de Janeiro
que mais mostrou seu labor.
 
Exerceu esse labor
ora na composição
e bem mais como cantor
de bela interpretação.
 
Sua vocação de artista
esteve ainda presente
no exímio violonista
e arranjador excelente.
 
No inicio, a carreira sua
se fez foi dentro de um bando:
o “Namorados da Lua”,
onde andou também brilhando.
 
Fez parte do movimento
chamado de Bossa Nova
e nele, de ter talento,
a sua obra deu prova.
 
De cantor, com qualidade,
gravou Lígia, Dó Ré Mi,
Rio, Cheiro de saudade,
Nós e o mar e É isso aí.
  
E Nem eu, Nova ilusão,
Fim de caso, Florisbela,
Além da imaginação,
Serenata e Isabela.
 
Gravou também Juraci,
Marina, Copacabana,
Xodó, Dizem por aí,
Manias e Suburbana.
 
E Januária, Solidão,
mais Boa noite, amor,
Pra machucar coração
e Sorris da minha dor.
 
E Vestidinho de Yayá,
que muita ternura tem,
qual Até logo, Sinhá,
como O barquinho também.
 
E nessa série tão diversa
das músicas que ele gravou
foi Mudando de conversa
outra que se destacou.
   
Ah, que bom pra todos nós
termos tido a emoção
de  escutar, na sua voz,
Castigo, bela canção!
 
Entre outros trabalhos seus
feitos só como cantor,
cabe Pra dizer adeus
ser citado com louvor.
 
Como Eu sei que vou te amar,
que é, na realidade,
de uma beleza sem par
e a Valsa de uma cidade.
 
Mas A noite do meu bem
em nada lhes fica atrás:
beleza igualmente a tem,
pois muita poesia traz.
 
Também registrou um drama,
o drama da solidão,
ao cantar Ninguém me ama,
com calor e comoção.
 
Cantando também assim
mais embelezou Magia,
Conversa de botequim,
Duas contas e Maria.
 
Mais tristeza ainda está
– tristeza até de dar pena,
tanta a dor que nela há –
em Helena, Helena, Helena.
 
Nos discos, sua bagagem
se fez mais rica e mais fina
com Inútil paisagem
e Casinha pequenina.
 
Entre outras interpretadas
por ele, cabe aqui ter
menção Ideias erradas,
como Razão de viver.
 
Bem assim Meditação,
que em si muito encanto encerra,
Rosa, Negro, Conceição
e o Samba da minha terra.
 
Noutra musiquinha boa
pôs sua voz especial:
tal fez em Errinho à toa,
de Roberto Menescal.
 
Sozinho ou em parceria
com nomes de projeção
fez obra cuja valia
teve muita aceitação.
 
Como autor, pois, ele fez
O direito de te amar,
Só errando o português,
Adeus gente e Vou chorar.
 
E nos tempos do LP,
fez A valsinha do amor,
Meu samba virou você
e Zum, zum, zum, um primor.
 
E Brumas, Meu cavaquinho,
Eu já disse, Nós e o mar,
Outono, Meu pianinho,
de contextura exemplar.
 
Canção pra ninar meu filho
é mais um trabalho seu
que transmite intenso brilho,
assim como Quem sou eu.
 
É um amor em retrocesso
o assunto sobre o qual versa
um seu enorme sucesso:
o De conversa em conversa.
 
Por todo exposto se vê
que os cantos do Lúcio são,
dentro da MPB,
de relevante expressão.


Nos versos acima, as palavras grafadas em itálico reproduzem literalmente, ou sugerem claramente, títulos de canções gravadas e/ou compostas por Lúcio Alves


 

 

         

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