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(Seção destinada à publicação de textos de autores não residentes em Niterói).

 

vitor barreto

Vitor Moreira Barreto é de Teresópolis, Estado do Rio. Estudou Desenho Industrial na PUC e é Editor/Publisher da empresa Lúcida Letra

1- A Editora Nova Ideias, começo de tudo, publicou vários gêneros literários. Depois você deu continuidade com a 2AB, na área técnica, especificamente design. A 2AB foi um sucesso e tornou-se referência no assunto. Neste momento você envereda com a Lúcida Letra pelo Budismo, um caminho bem diferente. A que se deu essa escolha?

VB - A Ed. Novas Ideias foi o meu primeiro movimento por conta própria e publiquei muitos livros que gostava pessoalmente. No entanto, a editora não tinha uma linha editorial clara e isso, somado a minha inexperiência, foi um desafio e tanto. Em 2007 assumi a direção da 2AB Editora, onde eu havia sido estagiário, já consagrada há anos sob a direção de André Villas-Boas. Seguir seu legado foi uma honra e com a 2AB aprendi melhor o que é ser um publisher, como me posicionar numa editora no mercado e como ter clareza da linha editorial. A Lúcida Letra surgiu por conta do meu envolvimento com o Budismo. Em 2012 montei o selo Lúcida Letra para publicar os livros que não encontrava no Brasil e que poderiam apoiar as sanghas (comunidades de praticantes) e professores brasileiros. 

 

2- No Brasil e no mundo, na década de 60, dois acontecimentos despertaram o interesse das pessoas pela meditação, pelo Budismo e pelo Hinduísmo: a ida dos Beatles à Índia estudar meditação com um guru e, apesar de mais antigo, os livros do inglês Cyril Hoskins ou "Lobsang Rampa". Budismo e Hinduísmo fizeram parte do movimento Hippie e mudaram a vida de muita gente. Você percebe hoje remanescentes dessas pessoas? Percebe-se a influência desses acontecimentos?

VB - A demanda por espiritualidade nos anos 1960 realmente aumentou a disseminação das tradições orientais. Não sei falar sobre "Lobsang Rampa", ele não está no rol de autores da Lúcida Letra. Talvez mais marcante do que os eventos citados tenha sido a ocupação chinesa no Tibete, que obrigou milhares de pessoas a fugirem, nos anos 1950 a 1960. Grandes mestres buscaram abrigo em outros países e começaram a ensinar. Os hippies, ávidos pela espiritualidade, estimularam o crescimento, mas também geraram distorções.  A visão ocidental e eurocêntrica interpretou o budismo a partir do seu próprio contexto. Um livro que relancei na Lúcida Letra foi "Além do materialismo espiritual", de Chögyam Trungpa, um grande mestre que ensinou nos EUA para o público hippie, seduzido por tudo o que parecia "espiritual".

 

3- Como se mostra o interesse dos brasileiros pelo assunto?

VB - Os brasileiros estão muito interessados. Há comunidades sólidas de praticantes e muitas outras sanghas têm crescido, especialmente com a vinda de mestres com regularidade.

 

4- Quais as características dos seus leitores? Há algo que chame a atenção?

VB - Os leitores da Lúcida Letra têm uma característica maravilhosa: são parceiros. Recebo retorno e apoio das pessoas.  São sugestões, incentivo, elogios, correções e até parcerias em publicações, ajudando a viabilizar projetos e a vencer os desafios de uma editora pequena. Eu me comunico de forma pessoal e, desse modo, os leitores e leitoras se sentem à vontade. Não é uma comunicação institucional, mas a sensação é de que há uma grande rede e de fato há.

 

5- Há alguma região do Brasil onde o interesse é maior?

VB - Tenho atendido pedidos de todo o Brasil, mas Rio Grande do Sul, Pernambuco, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo são os principais estados para onde envio livros.

 

6- O Brasil é um país cristão, dividido entre catolicismo e protestantismo. Além disso, há significativo número de espíritas. Como se situa o Budismo? Percebe choque de pensamentos?

VB - Não sei dizer como o Budismo se situa comparado às outras citadas. O Budismo não tem foco na conversão ou propagação da tradição. Não vejo choque de pensamentos, mas percebo o cuidado dos professores em usar linguagens que façam sentido para pessoas criadas na tradição cristã.  Muitos pontos do budismo são mal interpretados, mas isso não chega a causar conflito. Um dos próximos lançamentos da Lúcida Letra é o livro "Carma: o que é, o que não é, e sua importância". Buscará esclarecer muitos dos enganos que as pessoas de outras tradições têm sobre o carma, termo usado pelo espiritismo, mas com distinções cruciais.

 

7 - Há autores brasileiros de livros budistas?

VB - A Lúcida Letra ainda não publicou autores brasileiros. Alguns nomes que posso citar são a Monja Coen, da tradição Zen e Lama Padma Samten. Muitos outros professores brasileiros têm dado ensinamentos e retiros e a tendência é a de que seus alunos organizem os conteúdos e publiquem, mas isso costuma levar tempo.

 

8- Pretende expandir o assunto, publicando, por exemplo, filosofia? Se isso ocorrer, algum ramo o atrai mais?

VB- Não há planos para expandir a linha editorial. A Lúcida Letra ainda tem muito a contribuir publicando Dharma (os ensinamentos budistas). Penso em seguir publicando budismo tibetano, tanto em abordagens introdutórias como em comentários aprofundados de ensinamentos clássicos. Outras possibilidades são as publicações de livros das tradições budistas Zen e Theravada e livros infantis ou de educação que ajudem a introduzir os temas de mundo interno e felicidade para crianças.

 

9- Como é a comercialização e colocação dos livros nas livrarias?

VB - Colocar os livros nas livrarias é um grande desafio para qualquer editora pequena. A Lúcida Letra busca não ter essa dependência, atendendo os leitores diretamente pelo site e também com contato próximo com as sanghas, seja por meio das lojas, dos retiros e dos eventos. A demanda dos leitores acaba estimulando a procura por algumas livrarias, mas esse trabalho ainda é lento. Alguns livros do catálogo conseguem alcançar mais livrarias, especialmente quando ganham destaque na internet. É o caso do livro "No coração da vida", de Jetsunma Tenzin Palmo, que figura um vídeo no Youtube com mais de 3 milhões de visualizações.

 

10- Quais livros você aconselha a quem deseja conhecer o budismo? E que mensagem pode deixar aos leitores da Revista Virtual?

VB - O livro "No coração da vida", citado na resposta anterior, é uma excelente introdução. Outro ótimo livro é "Buda Rebelde", de Dzogchen Ponlop, que mostra como podemos entender o budismo dentro de nossa própria cultura.

 


      

       

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