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De outros cantos

(Seção destinada à publicação de textos de autores não residentes em Niterói).

 

Geraldo Cesar SantAnna Moreira

Geraldo Cesar Sant`Anna Moreira

 

Natural de Conceição de Macabu (RJ). Formado em Comunicação Social pela Faculdade da Cidade, Rio de Janeiro, atuou por mais de vinte anos no jornal O Globo na área de publicidade. É um estudioso do patrimônio cultural com ênfase no barroco e na arte sacra. Escreve, lê e tem como hobby a fotografia e as viagens. Ainda adolescente, interessou-se pelas cidades históricas de Minas Gerais e, desde então, ao longo dos anos, veio a conhecer e tem estudado a Minas colonial, cidades e igrejas, cujas histórias transformaram-se num acervo na biblioteca do autor. Mora atualmente em Brasília e suas novas paixões são as cidades goianas do século XVIII: Pirenópolis e Cidade de Goiás. Essa última, patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - (UNESCO), inspirou o texto que se segue, páginas de um diário afetivo sobre a terra de Cora Coralina, cuja casa-museu é um dos lugares que mais gosta de visitar.

 

Numa noite chuvosa, sozinho na velha cidade de Goiás...

 

Chove e os ventos movimentam as árvores do Brasil Central. Águas que descem para lavar as ruas de pedras, casario e igrejas do tempo colonial. É triste e bonito. Desolador, melancólico, nostálgico. Faz medo, faz frio, faz prece e poesia.

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Sant'Ana, Nossa Senhora da Boa Morte, do Carmo, do Rosário, da Abadia, Santa Bárbara, São Francisco de Paula estão nos altares da outrora Vila Boa de Goiás. Ora pro nobis. Há séculos, por séculos. Amém.

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Não estou só, mas sou só. Nessa cidade-relíquia quase além Tordesilhas, distanciada espaço-temporal (que sensação de estar distante de tudo e de todos, perdido no tempo — qual é o meu tempo agora?). Poucas almas diante da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e poucas outras pelas vielas e ruas. O calçamento é de pedras antigas, com muitas histórias para contar — mas as pedras silenciam. A chuva torna mais nostálgica a luz dos lampiões. O casario é como uma muralha. Muitas igrejas. A matriz, reconstruída da arruinada; a de Nossa Senhora do Rosário, redimensionada, foi barroca — há tempos é neogótica. Parece que não vive ninguém aqui. As casas, como a "Casa Velha da Ponte" de Cora, que há muito não fala, mas deixou escrito — tudo silencia. Nesse instante toca o um sino da velha Goiás. Não fosse o esquecimento, essa cidade não existiria mais. Confraternizo e me torno contemporâneo dos que aqui primeiro chegaram, na solidão.

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É lindo. Os lampiões acesos... mas parece que todos foram embora (como o ouro daqui) deixando uma cidade inteira sozinha, joia/relíquia abandonada, preservada mas solitária. Lugar para fazer Cora Coralinas.

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O ouro foi todo embora. Não deixaram nem nos altares das igrejas para contar história. Mas ainda existem os santos de Veiga Vale, as poesias de Cora, a sinistra Procissão do Fogaréu, O Rio Vermelho a passar chorando pela "Casa Velha da Ponte".

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Chove tanto. Que essas águas não levem a ponte da casa velha, nem a "Casa Velha da Ponte". Não bastasse o distanciamento... A sensação de estar tão longe, no meio do país, perdido no tempo, quase com a linha de Tordesilhas a partir meu coração.

...

Essa cidade é velha silenciosa que resolveu calar para se perpetuar, que deixou de ser atraente para ser esquecida, que preferiu ser velha a morrer. Que ficou esquecida para ser sempre lembrada. patrimônio da humanidade.

 

        

         

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