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Canto da palavra

 carlos jose

Entrevistador: Carlos José Rosa Moreira

Acadêmico titular da ANL, atual ocupante da Cadeira 32

 

sonia pessanha

Entrevistada: Sônia Pessanha

 

Formada em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como contista, publicou, em 1992, pela EDUFF (Editora da UFF), Depois de sempre, indicado pela Câmara Brasileira do Livro como semifinalista do Prêmio Jabuti.  Em 1991, participou da antologia A palavra em construção, publicada pela Carioca Engenharia, com apresentação de Nélida Piñon. Em 2001, publicou o livro de contos Traição e outros desejos, (Editora Objetiva). Participou das antologias Contos de escritoras brasileiras (Martins Fontes Editora), organizada por Lúcia Vianna, e + 30 Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, (Editora Record), organizada por Luiz Ruffato. Participa do grupo Estilingues, que lançou Amores vagos e Mapas de viagem.

 

CR) O que tem lido? 

SP) Muitas antologias de contos como Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño e Vida querida, de Alice Munro. Está na fila o romance recém-lançado de Miriam Mabrini, A bela Helena.

 

CR) Algum livro é mantido na cabeceira e sempre revisitado? Você costuma fazer releituras?

 

SP) Não costumo fazer releituras. Eventualmente, um ou outro conto, poemas, mas difícil reler uma obra inteira. Na cabeceira, costumam estar livros da doutrina espírita que gosto de utilizar para reflexões ao iniciar e terminar o dia.

 

CR) Algum livro marcou você, teve influência em sua vida?

 

SP) Uma obra marcante na minha formação de escritora foi Seleta, editada  pela José Olympio, com contos da Lygia Fagundes Telles. Foi leitura indicada pela querida professora de Literatura Cândida Georgopoulos, no terceiro ano do segundo grau no colégio Figueiredo Costa. Com este livro, que trazia interessantes análises a respeito de cada texto, me apaixonei pelo conto e comecei a ter olhos mais acurados para a tessitura literária. Creio que deixei de ser uma mera consumidora de enredos, para me tornar leitora mais atenta, sabendo apreciar as delícias de uma boa construção literária. A partir daí, comecei a me dedicar à escrita de contos.

 

CR) Há um gênero preferido para ler? E para escrever?

 

SP) Contos e romances para leitura. Na escrita, contos e, mais recentemente, literatura infantil.

 

CR) Há algo guardado na gaveta, esperando publicação?

 

SP) No momento, algumas histórias infantis que produzi ao longo desse ano, depois de um curso no Estação das Letras com o escritor Luís Raul. Também estou escrevendo a biografia romanceada de uma pessoa amiga, um trabalho que está me exigindo mais tempo e dedicação.

 

CR) Diga três nomes novos da literatura brasileira que não podem deixar de ser lidos.

 

SP) Adriana Lunardi, Alexandre Brandão e Bernardo Carvalho são escritores da  atualidade que me encantam.

 

CR) E diga cinco livros inesquecíveis. 

 

SP) Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato (o início de minha paixão pela literatura, na leitura de meu pai, a cada noite), As meninas (Lygia Fagundes Telles), Mrs. Dalloway (Virginia Woolf), As armas secretas, Júlio Cortázar, O som e a fúria (William Faulkner).

 

CR) O que mais a atrai num autor?

 

SP) O talento para encantar pela linguagem, o que não significa um excesso de ornamentação, ao modo barroco, mas a capacidade de nos surpreender como leitores. Às vezes uma imagem, uma construção simples, mas que nos toca de uma forma diferente. Os temas da literatura acabam sendo os mesmos, mas me fascina o trabalho com a linguagem que permite que sejam revitalizados.

 

CR) O que vê de positivo e de negativo na literatura que se faz em Niterói?

 

SP) De positivo, a persistência, haver tantos autores produzindo textos de qualidade, apesar das muitas dificuldades para edição e divulgação. De negativo, a falta de livrarias para veicular essa produção. Felizmente contamos com movimentos de resistência como o Escritores ao Ar Livro, projeto criado e mantido pelo poeta Paulo Roberto Cecchetti que constrói essa ponte entre leitores e escritores, num lugar especial – uma praça.

 

CR) O impulso para escrever é constante? É algo difícil de resistir?

 

SP) Infelizmente, até hoje, não consegui manter uma sonhada disciplina para a escrita. Para mim são importantes estímulos para a criação, daí a busca vez e outra de uma oficina (como a mencionada com Luís Raul). Também é essencial o convívio com outros escritores que enfrentam as mesmas dificuldades e desafios. Por isso o Grupo Estilingues tem sido fundamental na minha trajetória literária. Nós nos conhecemos há 30 anos, na Oficina Literária Afrânio Coutinho, e desde então temos sido parceiros na aventura literária, trocando textos, comentando a produção de cada um, incentivando-nos mutuamente. Em 2010, para celebrar essa cumplicidade literária, criamos o Projeto Estilingues (http://estilingues.wordpress.com), que já lançou duas coletâneas que não tiveram edição comercial, mas foram distribuídas em vários eventos literários. A escrita é uma atividade solitária, e até chegarmos ao leitor é um longo caminho. Para mim, essa troca mais imediata após a escrita de um texto é essencial.


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