Escritos Nossos

 

 

INQUIETUDE

À declamadora Neide Barros Rêgo

 

Os homens correm cada vez mais.

Os trens, na Europa, no Japão ou nos Estados Unidos

A centenas de quilômetros por hora.

Os aviões voando a milhares de quilômetros por hora.

Os homens vão e voltam em velocidade cada vez maior

E procuram correr mais, cada vez mais

Buscando novos meios de propulsão.

 

Só em Minas os homens permanecem tranquilos

Rolando morosamente

Entoando cantos dolentes pelos caminhos estreitos e sinuosos.

Agora, só os homens de Minas conhecem os pássaros e as borboletas que voam tão próximo.

Só eles podem fruir das fragrâncias da terra e das flores silvestres.

Só eles podem ouvir os cantos e os ruídos sutis da paisagem.

Só eles sabem para onde ir.

Só eles sabem ou intuem que todos chegarão juntos...

Celso Furtado de Mendonça

Antologia Água Escondida (1994), organizada por Neide Barros Rêgo

 

 

PIMENTEL CHEGA AO PARNASO

a Luís Antônio Pimentel

 

Vai, bailarino das imagens e das letras,

Tu podes ir beijar a face de Deus.

A tua paz legítima há de nos fortalecer.

A tua glória e a bela essência do teu viver

serão guardadas nas conchas atemporais.

Vai, bailarino de coração

humilde e verdadeiro.

Tu podes ir,

o Senhor do Universo

chamou-te para juntos fotografarem

as belezas dos céus...

Vai, Pimentel!

Dançar nos verdes caminhos novos.

Há uma primavera inteira a te sorrir...

Vai ser astro.

Um quasar de coração nipônico.

O cheiro da flor singela

e fotógrafo do Onipotente!

Podes ir!

É chegada a tua hora

de conviver com o Altíssimo.

O céu é lugar de homens bons...

Tu serás sempre o sol em alvorada,

acalentando de amores fraternais

os nossos corações...

Alberto Araújo

Niterói, 06 de maio de 2015.